Discoteca nada Básica por Rafael Marquee

Quinta-feira, Novembro 24, 2005:

Mais um bom nome que não vai tocar no Rio...Enquanto isso , a gente é infestado com um monte de festivais idiotas bancado pela telefonia celular...
Sorte do pessoal de São Paulo que se livro do talk do TV on the Radio ( que é uma merda) e vai poder assistir o bom duo alemão TARWATER.
Sorte deles.

Tarwater quer encorajar a imaginação do ouvinte com seu "pop quebrado"
FERNANDO KAIDA
UOL Música

Com o cancelamento dos shows do grupo americano TV On The Radio, o Tarwater passa a ser a única atração musical do festival multimídia Resfest, que acontece a partir da próxima sexta-feira, dia 25, em São Paulo. A dupla alemã fará uma apresentação única e gratuita no Itaú Cultural, no dia 27.

Formado em meados da década de 90 em Berlim pelos músicos Bernd Jestram e Ronald Lippok, o duo lançou seu primeiro disco, "11/6 12/10", em 1996. Desde então, o Tarwater já colocou mais quatro álbuns de estúdio no mercado --o mais recente deles "The Needle Was Travelling", de 2005--, além de EPs e discos com remixes.

O som da dupla traz uma mistura de instrumentos eletrônicos e acústicos em faixas minimalistas e experimentais que aliam elementos do pós-rock, hip hop, rock alemão dos anos 70 e pós-punk. O vocalista Lippock prefere sintetizar a variedade de influências e define sua música como "pop quebrado", termo que, segundo ele, une o amor pela canção que a dupla sempre teve e o amor pelo experimentalismo e "sons estranhos".

"Há muita abertura para o experimentalismo em nossa música, algo que compartilhamos com as bandas do krautrock (termo usado para definir as bandas de rock progressivo alemão do início dos anos 70)", afirmou o músico durante entrevista a UOL Música, por telefone.

O lado experimental da dupla, entretanto, está mais ligado à intuição do que a idéias pré-concebidas para alterar e descontruir as estruturas da música. "Somos dois caras no estúdio improsivando e tocando os instrumentos para ver o que acontece".

Para a apresentação que acontece na próxima semana, o músico promete músicas do disco novo, faixas de trabalhos mais antigos e, possivelmente, alguma coisa ainda inédita. Mesmo para quem já conhece e acompanha o som do grupo pelos discos, o show deve surpreender, já que "há muita improvisação no palco", o que deixa as versões ao vivo "bem diferentes", promete o músico alemão.

Leia a seguir os melhores momentos da entrevista com Ronal Lippock, do Tarwater.

UOL Música - Vocês já foram descritos como uma banda pós-rock, eletrônica, de pop orgânico e até mesmo como uma espécie de novo krautrock. Como você definiria a música do Tarwater?
Ronal Lippok - É sempre difícil classificar sua própria música, mas acho que há muita abertura em nosso som para o experimentalismo, algo que dividimos com as bandas da época do krautrock. Nós utilizamos instrumentos eletrônicos porque somos apenas nós dois na banda, então claramente fazemos música eletrônica experimental. Quanto ao termo pós-rock, acho um pouco equivocado. Ele remete a algo além do rock e isso não se encaixa na música do Tarwater. Temos raízes no rock, já que começamos a tocar juntos em uma banda punk anos atrás.

UOL Música - Seu disco mais recente, "The Needle Was Travelling", é o mais pop de sua discografia. Isso foi algo intencional desde o início das gravações?
RL - Não. Quando começamos a gravar um disco tentamos não nos limitar a idéias pré-concebidas para poder manter a espontaneidade da música. É um processo muito mais intuitivo que rege a música do Tarwater. Somos dois caras no estúdio improsivando e tocando os instrumentos para ver o que acontece. A direção que tomamos a cada álbum é inconsciente.

UOL Música - Que elementos ajudaram a deixar sua música mais acessível dessa vez?
RL - Antes de lançar "The Needle Was Travelling", fizemos uma turnê por cidades da Sibéria. Nós já tínhamos boa parte do material e mostrar isso para o público siberiano foi uma experiência muito boa que nos ajudou a deixar as músicas mais curtas, no formato clássico de música pop, com 3 minutos de duração, mais diretas e emocionais. Foi assim que deixamos o disco mais pop.

UOL Música - Como você vê "The Needle Was Traveling" em comparação com seus discos anteriores? Você acha que ele é uma boa porta de entrada para se conhecer o Tarwater?
RL - Eu acho que sim, porque ele tem todos os elementos que trabalhamos desde o início de nossa carreira. Um amigo nosso da França diz que fazemos "broken pop" (pop quebrado) e eu gosto do termo, pois ele une o amor pela canção que sempre tivemos e o amor pelo experimentalismo e sons estranhos. Isso também está presente no novo disco.

UOL Música - O que vocês vão tocar no show de São Paulo?
RL - Vamos mostrar versões ao vivo de músicas do novo disco --que são bem diferentes do CD--, algumas faixas de álbuns antigos, como "Animals, Suns & Atoms" (2000) e "Silur" (1998), além de algumas coisas nas quais estamos trabalhando agora.

UOL Música - De que forma as versões ao vivo são diferentes?
RL - Para o público, ver uma banda não é como assistir a TV. Se você dá algo para a banda, você recebe algo em troca. Esse tipo de diálogo muda a música e a faz diferente toda noite, mesmo que você trabalhe com trechos pré-gravados, como acontece em um projeto eletrônico. Há muita improvisação, às vezes aparecem idéias que você nunca teve antes. É por isso que eu acho que vale a pena assistir a um projeto eletrônico como o Tarwater ao vivo, porque é diferente do que se tem no álbum.

UOL Música - Quando vocês estão compondo, como sabem se uma faixa terá vocais ou se será instrumental?
RL - Quando começamos, não temos a menor idéia de como uma canção será, mas, é estranho, em determinado momento é como se a faixa tivesse sua própria demanda e então decidimos se ela deve ou não ter vocais. Nunca sabemos de antemão, tanto que as letras nunca ficam prontas até que a música esteja finalizada. Nós não trabalhamos como cantores e compositores. Não compomos as músicas em um instrumento para depois fazer arranjos no estúdio. É durante a gravação que a música do Tarwater é feita, então o estúdio é um instrumento importante.

UOL Música - A forma como você canta, quase falada, me lembra Lou Reed. Ele e o Velvet Underground são influências para vocês?
RL - Nós dois somos grandes fãs do Velvet Underground, mas eu sempre quis soar como Frank Sinatra, só que acabo cantando como Lou Reed ou o vocalista dos Stranglers (Hugh Cornwell). Acho que são as limitações da minha voz que causam isso, desculpem!(risos) O que eu gosto em cantores como Lou Reed é que ele deixa espaço aberto para o ouvinte. Ele não é só uma pessoa mostrando que é cheio de sentimentos profundos. Ele incentiva a imaginação do ouvinte. É isso que a música do Tarwater faz, encoraja a imaginação e deixa espaços abertos para que seus sentimentos apareçam quando você ouve a música.

UOL Música - Quais são as outras influências na música do Tarwater?
RL - Eu conheci Bernd em 1981, em uma banda punk de Berlin. Naquela época havia muitas bandas interessantes como Throbbing Gristle, Cabaret Voltaire, Joy Division, Human League e Coil, que foram muito influentes quando começamos --e ainda são-- pois não eram bandas de rock normais. Até mesmo a forma como eles distribuíam e gravavam música era diferente do que havia sido feito até então no formato rock'n'roll. O hip hop também é uma influência importante porque os artistas dos anos 80 usaram os samplers de uma maneira muito interessante, com colagens sonoras de uma forma harmônica. Sempre gostamos de dub e trabalhamos de vez em quando com artistas africanos que vivem e fazem música africana em Berlim. Temos ainda muitos amigos músicos e DJs que são muito influentes. É muito fácil ir a bares em Berlin e ouvir boa música inspiradora.

UOL Música - E as bandas alemãs antigas como Kraftwerk e Can?
RL - É engraçado, nós estávamos na França em turnê recentemente e ouvimos muito Can. Eu conhecia os hits, como "Spoon", mas não era muito familiarizado com o grupo. Atualmente tenho ouvido muito e acho que é uma banda fantástica. No Tarwater nós sempre trabalhamos com estas estruturas repetitivas e acho que o Can era muito bom em manter essa tensão ao trabalhar com elementos mínimos na música. O Can sempre pode ser inspirador, não apenas pelo estilo, mas também pela coragem de se arriscar musicalmente para fazer algo novo e radical. E o que eu gosto no Kraftwerk é que eles tiraram a música eletrônica do gueto acadêmico. Acho que eles foram o primeiro grupo que tentou escrever música pop eletrônica ou música folk eletrônica. Antes deles, a música eletrônica era mais acadêmica ou esotérica e eles disseram: "podemos fazer uma música como os Beach Boys com instrumentos eletrônicos".

Rafael Marquee // Quinta-feira, Novembro 24, 2005

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Sábado, Novembro 12, 2005:

Dica Discoteca nada Básica para este final de semana:

Olá.
Como passei toda semana ouvindo MUITA velharia, decidi que as dicas de hoje seguiriam nessa praia.

Cecil Leuter - Pop Electronique ( Pulp Flavor, 2000)



Ken Nordine - Colours ( Phillips, 1966)



Tá certo?

Rafael Marquee // Sábado, Novembro 12, 2005

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Quinta-feira, Novembro 03, 2005:

Dicas Discoteca Nada Basica:

Pra compensar o abandono, duas diquinhas baasicas e poderosas ( noffa!):

Tipsy - Remix Party ( Asphodel, 2002)



CMYK - cmyk ( Rather Interesting, 2005)



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Sr. KKFS pede para que eu avise que tem novidades no Menthe de Chat!
Tres novos disquinhos supimpas entraram semana passada.
Cada um mais bacana que o outro!
Realmente do balacobaco, gente fina!

Rafael Marquee // Quinta-feira, Novembro 03, 2005

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